Frias responde a Dino no X e diz que vai esclarecer viagem ao exterior

Frias responde a Dino no X e diz que vai esclarecer viagem ao exterior

Quando Mário Luiz Frias, deputado federal do Partido Liberal publicou uma mensagem direta para o ministro Flávio Dino na rede social X na manhã de quinta-feira, 21 de maio de 2026, o jogo político mudou rapidamente. O parlamentar, que está no exterior desde 12 de maio, afirmou estar em missão oficial e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos sobre seu paradeiro e sobre investigações envolvendo recursos públicos.

A tensão entre os poderes Legislativo e Judiciário ficou evidente quando Dino determinou, no dia anterior (20 de maio), que a Câmara dos Deputados informasse detalhes precisos sobre a viagem de Frias ao Reino do Bahrein e aos Estados Unidos. A questão não é apenas burocrática: envolve R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares e dúvidas sobre a regularidade da ausência do deputado durante um período crítico de apurações.

O confronto nas redes e o prazo de 48 horas

Na publicação endereçada ao ministro do STF, Frias escreveu: "Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito. Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta". Ele garantiu que chegaria ao Brasil no dia 25 de maio e ofereceu um "encontro ao vivo" para responder às questões.

Porém, a reação do gabinete de Dino foi fria. Segundo reportagens recentes, o ministro não pretende receber Frias em audiência pessoal. Mais crucialmente, a equipe jurídica do STF interpretou o post no X como prova de que Frias tomou ciência formal da intimação judicial, algo que vinha sendo tentado há mais de um mês sem sucesso. Isso acionou um cronômetro rigoroso: Frias tem exatamente 48 horas a partir da publicação para apresentar uma resposta formal. O prazo expira na segunda-feira seguinte.

Caso ele falhe em responder dentro desse limite, Dino avaliará novas medidas processuais. A ironia da situação? O próprio deputado alega estar cumprindo agendas oficiais, enquanto a Câmara informa que seus pedidos de autorização ainda estavam "em apreciação" e sem aprovação final.

A rota controversa: Bahrein e Dallas

A trajetória de Frias nos últimos dias desenha um mapa de controvérsias. Entre 12 e 18 de maio, ele esteve no Reino do Bahrein. A assessoria da Câmara explicou que a visita seria a convite da embaixada bareinita em Brasília, com reuniões previstas no parlamento local e no Comitê de Desenvolvimento Econômico. Frias alegou não haver custos para a Casa Legislativa (missão sem ônus).

Imediatamente após, entre 19 e 21 de maio, o deputado deslocou-se para Dallas, no Texas, Estados Unidos. Lá, participou de eventos organizados pelo movimento "Yes Brazil USA". No total, Frias permaneceu fora do território brasileiro de 11 a 22 de maio de 2026.

Aqui reside o ponto cego: a Câmara dos Deputados, ao responder ao ofício de Dino, confirmou que os pedidos de missão internacional para esses períodos específicos ainda não haviam recebido autorização formal da Mesa Diretora. Ou seja, tecnicamente, o parlamentar estava viajando sem a chancela definitiva da instituição que representa.

O fundo do poço: Emendas Pix e o filme "Dark Horse"

O fundo do poço: Emendas Pix e o filme "Dark Horse"

Para entender por que Dino está tão atento ao paradeiro de Frias, precisamos olhar para além das passaportes. O ministro investiga o destino de R$ 2.600.000,00 (dois milhões e seiscentos mil reais) em emendas parlamentares, conhecidas popularmente como "emendas Pix". Esses recursos foram direcionados por Frias a uma organização não governamental (ONG) ligada à produção do filme "Dark Horse", uma obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

A conexão é direta: Frias, ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro, é acusado de utilizar mecanismos ágeis de repasse orçamentário para financiar projetos com forte viés político-partidário. A investigação busca esclarecer se houve desvio de finalidade ou irregularidades na aplicação desses fundos públicos.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

O que são as "emendas Pix" investigadas?

São emendas parlamentares enviadas diretamente via sistema Pix, permitindo repasses rápidos de recursos públicos a entidades privadas ou ONGs. No caso de Mário Frias, R$ 2,6 milhões foram destinados a uma ONG ligada ao filme "Dark Horse", gerando suspeitas de uso político dos recursos.

A viagem de Frias foi autorizada pela Câmara?

Não oficialmente. A Câmara informou ao STF que os pedidos de missão internacional para o Bahrein e EUA estavam "em apreciação" e não haviam recebido autorização formal da Casa legislativa até o momento da resposta enviada ao Supremo.

Qual o prazo de Frias para responder ao STF?

O gabinete de Flávio Dino considerou que o post no X comprova a ciência da intimação. Assim, Frias tem 48 horas a partir da publicação (21 de maio) para apresentar defesa formal, sob risco de sanções judiciais adicionais.

Flávio Dino vai atender ao convite de encontro de Frias?

Não. Apesar de Frias oferecer um "encontro ao vivo" na rede social, o gabinete do ministro já descartou a possibilidade de audiência presencial, focando estritamente nos trâmites jurídicos e no cumprimento do prazo de resposta.